quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Incômoda Existência Abominável

Mesmo que você me mate
o que eu sinto vai ficar por aí
embolorando os pães, estragando as frutas
incomodando o sono dos bebês
Mesmo que você me castre
meu sexo descolado insistirá em se enroscar
nas pernas das pessoas por baixo das mesas
como o rabo de um gato carente
e despertará tesão até nos mortos enterrados
Mesmo que você me dissolva
derretendo meu corpo com ácidos poderosos
eu vou permanecer nos dedos afoitos
no sussurro dos assuntos proibidos e
nas traquinagens dos meninos psicopatas
Serei sempre este insuportável paradoxo complexo
que alimenta a relação dos amantes que se detestam
o visgo que ata o sádico ao masoquista
a areia movediça que te engole
quando tudo o que você deseja é a leveza
do gozo e do foda-se

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Semente do Prazer


Nascer e morrer
a cada verão
enterrada
no topo
da montanha
da cabeça
do teu pau.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Homenagem
















Fecho os olhos
Penso em você
E estou no mar
ondas mansas
me invadem
sinto o calor
do sol
ou seu
tudo pulsa
no ritmo
num impulso
mergulho
bem fundo
bem dentro
não fujo
enfrento
um flash
um atmo
no alvo
flutuo
de volta
respiro
abro os olhos
você no retrato
me inspiro.

terça-feira, 4 de junho de 2013

 
 
 
 
 
 
 
 
   
E daí se eu quero seu abraço apertado,
e nem penso em ter namorado,
porque quero meu tempo pra mim ?
E daí se eu tenho um chamêgo gostoso
que considero por demais valioso
pra presentear um só cidadão?
Sejamos amáveis, amados, amigos
sejamos honestos, humildes, honrados
Troquemos carinhos, conversas, confidências
Essa coisa sem crachá, contrato, sobrenome
talvez seja tão boa que cure carências,
vire sucesso garantido e atravesse gerações.
 

terça-feira, 26 de março de 2013

Fisiológico Telúrico


Amar com cabeça ou coração é coisa de gente fraca.
Eu te amo com minhas supra renais.
Amor de chakra básico, vermelho.
Amor de Terra.
Eu te amo assentado sobre os meus rins, excretando adrenalina,
amor que me alucina.
Amor que me rega em suores e ressoa taquicardias.
Amor orgástico.
Amor que me abre os brônquios, dilacera alvéolos.
Amor epinefrínico que simpatiza meu sistema.
Amor de reação, de fuga, de embate.
Amor loucura .
Sua ausência me paralisa as vias,
me inunda lática,
me tira o ar,
me vasodilata,
Me mata.

sexta-feira, 15 de março de 2013

One















Sempre você...
Não há o que tire você da minha vida.
Porque não há nada que prenda você a ela.
Amo-te todo
carne e confusão
Amo-te livre, vivo,
brincando dentro de mim
como um pensamento
inquieto
presente
tão real e óbvio
como o sangue que me preenche
que me sobe a face
que incha o meu sexo
disparado
somente por imaginar
o toque do seu lábio
ou lembrar
o gosto do seu sêmen.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Tolice



Desculpe
Tolice a minha
Achar, poder, pensar
Incauta
Inculta
Tolice a minha
Arrepiar, emocionar,
Sentir coisas por linhas
Por arcos, por concreto armado
Tola fui, tola permaneço
Vibrar como vibrei
Quando descobri que as letras
Podiam brincar, dançar cirandas
Tola eu que nasci massa, povo
Povo não pensa
Povo não sabe
Povo não sente

Tola
Atol
Lota
Ato
L

Liberdade
Livre
Leve
Sobre o mar das academias.

* com amor para Oscar Niemayer

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Teimo em tentar entender
o que passou pela sua cabeça,
o que o trouxe a mim
tantos séculos depois?
Que prazer teria em me ver sofrer?
Eu, que fui sua amiga
e só bem te fiz...
Rompeu distâncias,
Adentrou minha casa,
vem novamente e me diz
que seu amor é "dela"?
Isso eu já sabia
e você bem que poderia
me poupar deste "tudo outra vez"
Talvez, debochar da minha dor
te fortaleça
Tentar destruir meu amor
talvez impedir que ele cresça
Teimo em tentar entender
o que passou pela sua cabeça...
Embora a tormenta não passe
Enxergo seu medo
e sinto por nós
tão sós
nada que eu possa fazer
a não ser esperar que algo aconteça
que o real o desperte
ou que sua coragem floresça
Teimo em tentar entender
o que passou pela sua cabeça...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Cantilena de Duas Cores


Numa tarde preguiçosa
deixamos os outros pra trás
de mãos dadas, volta e meia
o seu braço me arrudeia
sua boca que me beija
e minha pele que arrupêia
me perdi no seu olhar
Olhos verdes de Serra
Olhos Verdes de Mar

Mas destino de abelha
é pousar de flor em flor
minha febre não te queima
e perdi o seu amor
parte atrás de outra morena
mais tranquila, mais serena
mas nenhuma com minha cor
Cor de amora madura
Cor que tinge minha dor

Havia uma cantiga só nossa
Que sempre me pego a cantar
pensando no que seria
nossa vida de alegria
sem nada pra atrapalhar
nem cachaça, nem preguiça
"ou ninhuma ota tuliça "
e me lembro seu olhar
Olhos verdes de serra
Olhos verdes de mar

Mas a vida quer "di um tudo "
não podemos nela mandar
só aceitar o que for
então guardo firme na lembrança
aquela tarde de amor
em que me tomou em seus braços
e batizou minha cor
Cor de amora madura
Cor que tinge minha dor.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

25















Vista apenas coragem
Enfrenta seus medos
Seja maior que o tempo
Permita-se desafiar
seus cristais
seus infinitos ais
Distraia-se
DES-trair a si
Vem
Entra na minha alma
canções de amor
deita na rede do meu corpo
nenhuma distância
cansa
descansa
faço um cafuné
zombamos da vida
e das promessas
de enfim
e até ...


da árvore de fruto tão raro
que todos sonham provar
quem ganhou a semente
não plantou
preferiu deixar secar...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Cínica



Eu digo que não quero,
que não gosto,
que tô fora...
Atiro pra todo lado,
eu não presto,
eu sou eu,
o resto é resto.
Mas, num relance
você me olha,
sorri de leve,
disfarça,
finge ir embora,
passa por mim,
esbarra, me toca
e nesta hora:
me faltam pernas
engasgo, me babo
viro uma otária,
renego o óbvio,
tô facinha,
tô de quatro,
só esperando a hora...

sábado, 24 de março de 2007


No instante pós



não se afaste
permaneça encaixado
não se mexa
só aceite
sinta ser massageado
contraindo pressionando
o que está tão relaxado
me sinto acariciando
com movimento lapidado
repito lenta e sem pressa
durante um tempo incontado
aprecio a delícia
do presente que me é dado
vou ao limite, não escondo
o tesão já renovado
sinto pulsar nas entranhas
seu membro duro tarado
não aguento recomeço
meu eterno rebolado.

* resposta ao Affonso que encontrei quando passava pela Rua do Val.Muito inspirador esse negócio de responder poemas... Adorei usar poetas famosos como musos...


Decidida

Jose(Pepe)Madrid Raya

Andava cambaleante
cheia de paixão nas ventas
via tudo distorcido
e esperava o tal encontro
quando chegou o momento
passado o gelo na alma
é que ela atentou para o fato
o espetáculo era um monólogo
e o moço só queria aplauso
cristaltrincado, porcelanalascada, obturaçãocaída.
Mesmo num só pé
manteve-se sobre o salto
retocou o batom
ao passar pelo espelho
olho vermelho
da lágrima que não caiu

antes do fim do 1° ato
levantou-se chamando atenção
escolheu um alguém que passava
foi levando-o pela mão
deu pra ele a noite inteira
acordou renovada
esqueceu o contratempo
mas jurou aos quatro ventos:
apaixonada?
satisfeita, quero não,
muito obrigada.


Poemanimal



não fez a dívida
mas pagou o pato
engoliu o sapo
sustentou o mico
acreditou no viado
e acabou bancando a anta
vai burra, aprende
na próxima seja rata
esse papo de "gata"
só funciona com as cachorras.

sexta-feira, 16 de março de 2007


Poeminha Nômade

Antonio Porto

voar,ver outros verdes
e voltar a vida
vadiamarelinhadaqui.

sexta-feira, 9 de março de 2007


Mario Lago


Ah quem me dera,
ser do dancing a donzela,
enroscar naquele corpo esguio,
sem dar um pio
só ouvir aquela voz eterna
que num sussurro
me abre as pernas...

*deliciosamente provocada pelo Val, na Rua da Passagem.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007


Menina de Mar



Eu conheço uma moça no Rio
que vive banhada de mar
há muito não é menina
mas guarda mistérios a revelar
festeira, animada
sua sede não sacia
no inverno é desejada
no verão é só folia
meio doida, diferente
se destaca das demais
bebe pinga a indecente
e se entrega ali no cais
mostra tudo,
e como é linda
bota o mundo a rebolar
faz dobrar a atenção
quando por ela passar
todos disputam a danada
querem dela algo ser
e ela ri desaforada
só aceita quem for bom
na cabeça ou safadeza
tem que mostrar algum dom
é quando a moça te abraça
e seu carinho arrepia
você vai longe, mas volta
pro seu feitiço de orgia.

Foliana


Virada no tetéu
sambei o amanhecer
observadora vibrante
encinemados sorrisos
coloridos corpos suados
goles de sonho e alegria
molhando as cinzas do dia tal
a cada batida marcada
novos caminhos surgindo
dos nossos passistas pés
Num desvio de harmonia
fui parar na padaria
onde um folião resistente
assoviava aquela canção
que dispara meu peito
surdão
lembrei seus desviante-olhares
e suas bobagens cotidianas
em um compasso ascendente
joguei a vida lá adiante
porque atrás sempre vêm gente
basta rebolar e sorrir
provocada não dei tréla
quando me atacou a saudade
daquela camisa amarela
virei as costas
fui embora
saí cantando faceira
pois tristeza nessa vida
só quem gosta é a jardineira...

"Vem jardineira, vem meu amor ..."

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Indício de Maturidade



Carnaval
sem igual
sóbria
pulei muito
em homenagem
ao frevo
tesourinha
perna fechada
perna aberta
perna aberta
perna aberta
hummmmmmmmmm